terça-feira, 3 de maio de 2016
Na escola, eu costumava ser aquela que ficava no canto, quieta e sem expressão. Eu não me importava, a única coisa que queria era que acabasse o ano. Fazia um calendário na última folha do caderno e riscava os dias que passaram. Ansiava o dia em que teria riscado todos. Foi assim até meu último ano. Eu não sinto falta da escola, não sinto. Gostava de ser excluída, de não ser notada, ser aquela garota que ninguém sabe o nome. Mas chegou um momento da minha vida em que eu simplesmente me importo. Antes, sem me importar em ser reconhecida, hoje, sentindo falta de reconhecimento. Percebo que sou aquela que faria menos falta nos círculos sociais. Percebo que as pessoas planejam viagens, passeios, encontros, sem mim, e me pego desejando ter novamente 14 anos, quando meu maior desejo é que ninguém me convidasse para nada. Percebo que mesmo agora me importando, ainda sou aquela que ninguém quer saber. Sempre. E agora começo a reviver aquela menina-moça fria. Não quero mais me importar, isso já me feriu demais.
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