Ah, só quero desabafar um pouco. Sobre meu pai. Quando eu era menor, criancinha, tínhamos uma ótima relação, adorava ele e o achava engraçado. Aquela coisa toda, sabe? Com o passar dos anos, não sei bem, essa relação foi se deteriorando. Ele voltou a beber. Todos os dias bebia e só voltava de madrugada pra casa. Depois disso, já não via ele com os mesmo olhos. Problema com bebida é algo perigoso e que pode acabar com famílias, com a própria vida da pessoa. E desde então, não tem sido a mesma coisa. Claro, não vou culpar apenas isso. Eu também não sou lá uma pessoa fácil de lidar, e com a pré-adolescência e adolescência só fui me tornando ainda mais rebelde sem causa. Houve um tempo que eu não sentia mais nada por ele, era indiferente. Mal nos falávamos, somente quando ele me mandava ir dormir e parar de mexer no computador. Minha mãe faleceu e eu ainda não sentia nada por ele. De uns tempos pra cá, voltei a sentir, o vejo como meu pai novamente, como um dos poucos membros da minha família, e posso dizer que o amo. Mas não temos muito assunto, sei lá. Sempre foi problemática essa minha vida, essa minha família... eu, inclusive. Sinto que ele não acha que eu ou meus irmãos o amamos, ele fala isso com uma certa frequência. Confesso, é difícil ter paciência com ele, eu tento, mas ele vê as coisas de uma forma muito diferente da minha. Vou tentar conversar mais com ele, entender o que ele pensa e sente. Porque eu não suporto mais brigas, discussões bobas. Pois era assim que vivia durante anos e anos, ouvindo discussões dos meus pais, dos meus irmãos, minhas. E eu estou cansada. Só queria uma família feliz, como nos comerciais de margarina ou de venda de casas.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Importar-se
Eu valorizo demais. Não a mim, mas aos sentimentos daqueles que amo. Tento me aproximar quando acredito que a pessoa precisa disso, mesmo negando. Tento comemorar o que deveria ser comemorado, mesmo quando a pessoa diz não se importar. Tento compreender os sentimentos dela, mesmo quando ela diz que é sempre assim e que vai passar. Me pergunto se estou fazendo a coisa certa, pois quando eu ajo como o outro, não acharia ruim se agissem como eu nessas situações. Eu queria mesmo é que alguém me valorizasse como eu acredito valorizar quem amo, que se importasse com meus sentimentos como eu acredito me importar com os desse alguém, que perguntasse, que ficasse comigo, me acalmasse, me amasse. Me amasse de apertos, de abraços, de beijos, de amor. Talvez eu ame demais, talvez eu queira atenção demais, talvez seja chata demais. Ou só me valorizo de menos, me esqueço, me troco, me deixo ir. Eu deveria ir em busca do meu valor, do meu amor próprio, do meu eu quando posso ser ele mesmo. Isso ou ser aquela que amava mais do que era amada.
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